Desnazificando

Jun 24 2020 66 mins 12

A seus postos, Aliança Rebelde! Seja bem-vindo ao Desnazificando, um podcast quinzenal e de iniciativa totalmente feminina realizado pelas coordenadoras do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Autoritarismo e Totalitarismo da UFMG (NEPAT). Nesse espaço iremos falar sobre pesquisa, educação, nazismo, século XX e o que mais der na telha. Nosso objetivo é debater conceitos, ideias e acontecimentos de maneira descontraída, mas com profundidade e qualidade.





#17 - Educação e trauma [com Museu do Holocausto de Curitiba]
Dec 16 2020 90 mins  
A seus postos, Aliança Rebelde! 🎙 Está no ar mais um episódio do Desnazificando! Esse é o último episódio da nossa primeira temporada e gostaríamos de agradecer muito a todos vocês que nos ouvem e a todos os convidados incríveis que tivemos! Obrigada por fazer esse projeto dar certo 🖤  E hoje, nós vamos falar sobre os desafios da educação com relação a temas sensíveis. Como elaborar propostas pedagógicas e educacionais para trabalhar com responsabilidade eventos traumáticos? Pensando especificamente no Holocausto, Andreas Huyssen, em "Seduzidos pela memória", diz que houve uma hollywoodização dessa temática, com um excesso de apelo memorialístico que não necessariamente implica em uma verdadeira compreensão daquele trauma. Por isso, precisamos pensar em formas efetivas de abordagem que saiam da superfície e que de alguma forma façam com que as pessoas reflitam não apenas sobre o evento em si, mas sobre as raízes do evento e suas consequências na atualidade. Como lembra Zygmunt Bauman, o Holocausto, infelizmente, não é um problema só dos judeus: ele faz parte de uma estrutura burocrática moderna e se constitui em discursos ideológicos racistas que ameaçam a sociedade democrática. A educação aparece então como um dos pilares na compreensão desse fenômeno e na possibilidade de novos caminhos no futuro. Enfim, chamamos pra bater esse papo com a gente o Carlos Reiss, coordenador-geral do Museu do Holocausto de Curitiba, o primeiro museu do Holocausto no Brasil, e que, segundo eles, tem como objetivo "relembrar as vítimas e alertar as novas gerações sobre os perigos do ódio, da intolerância e do Racismo". Vem com a gente?


#16 - O conto da Aia: totalitarismo em Gilead
Dec 02 2020 61 mins  
A seus postos, Aliança Rebelde! Está no ar mais um episódio do Desnazificando! E hoje nós vamos falar um pouco sobre a obra  O Conto da Aia. Lançada em 1985 e escrita pela autora canadense Margaret Atwood, o romance ganhou sua primeira edição brasileira em 1987 e, em 2017, ganhou uma nova edição, que veio acompanhada do lançamento de uma série homônima no canal de streaming Hulu. O livro já foi adaptado para um filme (1990), uma ópera (2000) e uma graphic novel (romance gráfico, 2019). Nos mais variados formatos que a história criada por Atwood assumiu, ela suscitou intensos debates e foi razão de grande sucesso: o livro foi extremamente aclamado em seu lançamento, ganhando o Governor General's Awards em 1985 e o primeiro Prêmio Arthur C. Clarke em 1987, e a série que ganhou oito prêmios no Emmy e dois Globos de Ouro. O recente sucesso da série e do livro, que inclusive ganhou continuação em 2019, aponta para um aspecto tenebroso em nossa realidade, como afirmou Atwood em entrevista: estamos mais próximos de Gilead do que gostaríamos. Tendo isso em vista e encarando a ficção como fonte para a reflexão e a compreensão acerca da realidade do nosso mundo, hoje vamos fazer uma análise de O Conto da Aia a partir do conceito de totalitarismo da filósofa Hannah Arendt, nossa conhecida por aqui, para, não só entender o universo criado por Atwood, mas também para refletir sobre o nosso próprio mundo. Vamos lá?



#15 - Modernidade e Holocausto: conceitos da obra de Zygmunt Bauman
Nov 18 2020 66 mins  
A seus postos, Aliança Rebelde! Está no ar mais um episódio do Desnazificando! E hoje, nós vamos falar sobre os conceitos presentes na obra Modernidade e Holocausto, de Zygmunt Bauman, que nos auxiliam a compreender não só o Holocausto, como também a sociedade moderna. Como vocês sabem, estamos fazendo no nosso instagram a Semana Zygmunt Bauman em homenagem ao aniversário desse sociólogo que nós amamos tanto. Vocês sabem que a gente fala do Bauman desde o nosso episódio piloto, mas ainda não tínhamos feito um episódio mais elaborado sobre ele ou sobre sua teoria. Então esperamos que vocês gostem de mais esse conteúdo da Semana Bauman! Bom, acho que todas iremos concordar que Modernidade e Holocausto é um dos livros mais famosos de Bauman, apesar de ele ser reconhecido pela sequência de líquidos: Modernidade líquida, Amor líquido, Medo líquido, Tempos líquidos. Vamos falar aqui hoje sobre alguns dos conceitos que perpassam essa obra, pensando sobretudo nas continuidades do Holocausto presentes na sociedade moderna, ou seja, os elementos que tornaram possível esse "genocídio com propósito" que ainda estão vivos na nossa sociedade até os dias atuais. Esse é um episódio que vai conversar bastante com o nosso episódio sobre o conceito de banalidade do mal em Hannah Arendt justamente porque Bauman tem uma perspectiva similar a da filósofa: o que tornou o Holocausto possível foram homens racionais que transformaram o extermínio em uma técnica, com a produção social da distância e a divisão do trabalho, aliados a um senso fortíssimo de autopreservação. Prepara que vem muita fritação por aí!




#13 - Hannah Arendt e a banalidade do mal [com Adriano Correia]
Oct 15 2020 69 mins  
A seus postos, Aliança Rebelde! Está o ar mais um episódio do Desnazificando! E hoje nós vamos falar sobre um tema que vocês já nos pediram muito: o conceito de banalidade do mal. Como vocês sabem, estamos fazendo no nosso instagram a Semana da Hannah Arendt em homenagem ao aniversário dessa filósofa que nós amamos tanto. Vocês sabem que a gente fala da Arendt desde o nosso episódio piloto, mas ainda não tínhamos feito um episódio mais elaborado sobre ela ou sobre sua teoria. Então esperamos que vocês gostem de mais esse conteúdo da Semana Hannah Arendt!  O conceito de banalidade do mal é possivelmente o conceito mais famoso de Arendt, fruto de sua análise do julgamento do nazista Adolf Eichmann em Jerusalém. Mas como podemos definir esse conceito? E quais são as aplicações possíveis? Afinal, será que ainda podemos falar de um mal banal na atualidade? Pensando nisso, nós chamamos pra bater esse papo com a gente o Adriano Correia, professor de ética e filosofia política da Universidade Federal de Goiás. Ele atualmente é um dos maiores pesquisadores brasileiros da obra de Hannah Arendt, com destaque para os livros: "Hannah Arendt e a modernidade: política, economia e a disputa por uma fronteira", de 2014, "Hannah Arendt", de 2010 e "Transpondo o abismo: Hannah Arendt entre a filosofia e a política" de 2002. Ele também foi responsável pela revisão e a apresentação das duas edições brasileiras de "A condição humana", de Hannah Arendt. Já deu pra perceber que estamos muito bem acompanhadas hoje, né?




















#04 - Dicionário de Conceitos: Fascismo
Jul 22 2020 76 mins  
A seus postos, Aliança Rebelde! No episódio de hoje do Desnazificando damos início a série do Dicionário de Conceitos, que é uma tentativa de fazer um debate teórico e historiográfico de algum conceito específico, trazendo também suas possíveis aplicações. Já vamos deixar claro aqui que esse dicionário não tem a pretensão de exaurir a discussão sobre um determinado conceito e é claro que vai ficar muita coisa de fora. A ideia é a de trazer um debate com alguns autores e algumas teorias e convidamos vocês ouvintes a complementar a nossa discussão com mais bibliografia e outros autores e perspectivas, combinado? No episódio de estreia do Dicionário de Conceitos nós vamos falar sobre um tema de difícil delimitação, mas que têm sido assunto de muitos debates e acusações: o Fascismo. Assunto que estampa as ruas, os jornais e a política atual, essa palavra têm se tornado ofensa comum e têm sido alvo de muitos debates. Mas o que exatamente ela quer dizer? O que é o fascismo? Existe apenas um fascismo? O que significa chamar outra pessoa de fascista?  Tentaremos compreender melhor o que significa ser fascista e o que é um regime fascista, passando por debates conceituais e teóricos. Mencionaremos acontecimentos históricos, que dão muito pano pra manga, e certamente ganharão episódios mais adiante para conversarmos com mais profundidade. Nosso objetivo é pensar com vocês os múltiplos elementos que remontam ao fascismo e no que ele consiste. Afinal, nenhuma ideia é mobilizada à toa, e como questiona Umberto Eco, existe, então, outro fantasma que ronda a Europa (sem falar das outras partes do mundo)?


#03 - O Sonho de Ferro: ficção científica e fascismo
Jul 15 2020 49 mins  
A seus postos, Aliança Rebelde! Está no ar o terceiro episódio do Desnazificando, uma adaptação de uma live que fizemos no nosso instagram e transformamos em um episódio.  Em um mundo pós-apocalíptico destruído por uma guerra nuclear e habitado por monstruosos mutantes, a nação de Heldon é o último refúgio da humanidade. No entanto, o país está ameaçado, interna e externamente, por perigosos inimigos: os Dominadores, criaturas capazes de controlar mentes, determinadas a destruir Heldon. Para salvar o mundo da ruína, o protagonista Feric Jaggar parte em uma jornada heróica para recuperar a arma lendária de Heldon e liderar a humanidade em uma última batalha de vida ou morte contra os Dominadores. O livro que acabamos de descrever não parece surpreendente, certo? Exceto por um detalhe: o autor de “O Senhor da Suástica” é Adolf Hitler. Em um universo paralelo, Hitler nunca se tornou o Führer do Terceiro Reich. Ao invés disso, ele emigrou para os Estados Unidos após a Primeira Guerra Mundial e se tornou um autor de ficção científica.  Essa é a proposta de “O Sonho de Ferro”, de Norman Spinrad. O livro é uma paródia que critica diversos elementos do gênero, como a masculinidade tóxica dos heróis, a fetichização do militarismo e a mentalidade do “nós contra eles”. Embora o livro tenha sido publicado na década de 1970, a crítica de Spinrad não perdeu sua relevância. Será que nossa cultura está a salvo de elementos fascistas, ou será que eles circulam entre nós sem ao mesmo percebermos?






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